sábado, 5 de fevereiro de 2011

Prefácio

'Não se importe, não se apegue, não ligue, não procure, não fique em cima, não seja disponível…E verá como tudo se torna mais fácil.'

Isso deveria ser o lema que procurei minha vida toda seguir. Mas que coisa difícil essa, heim? Veja bem, você consegue não se importar, não se apegar, não ligar, não procurar, não está disponível praquela pessoa pela qual você tem um carinho imenso? Por mais que você queira, é tão raro...
Os relacionamentos humanos são tão complexos, tão cheios de altos e baixos, que me pergunto se seguir esse lema realmente faria das coisas mais fáceis ou se isso apenas camuflaria uma situação. De toda forma, estou nessa de não se importar, não se apegar, não está disponível. A questão é: eu fiz o contrário durante quase 2 anos. E quando você cria uma rotina de certa dependência, quebrar vínculos, amenizar sentimentos, se tornam ainda mais complexos e ainda mais difíceis. Você fica numa encruzilhada. E ninguém gosta de se sentir sem saída.
Você se pega perguntando se conseguirá manter certa distância dessa pessoa. E você realmente quer isso. Afinal, quem quer se importar com alguém que não tá muito ai pra você? Quem quer se apegar a alguém que não quis se apegar a você? Ninguém.
Só que, as coisas não são assim. Isso não é só questão de escolha. Você precisa controlar sua dependência. Eu por exemplo, me sinto totalmente dependente de uma pessoa. Sinto necessidade de conversar com ela, de ser notada por ela. Definitivamente, ela é a primeira pessoa que penso quando preciso desabafar; quando preciso de um abraço; de uma palavra de amigo. E isso, ao passo que é maravilhoso, é angustiante. Porque, enquanto estou me distanciando, tem uma força que me puxa ainda mais pra perto dessa pessoa. E, às vezes, eu não consigo com ela e acabo cedendo. Frustrante.
E quando isso acontece, me pego perguntando se essa pessoa se sente um pouco dependente de mim. Se ela às vezes sente vontade de conversar comigo quando algo está errado ou até quando esta tudo perfeitamente bem; se pensa em mim, quando precisa de um abraço, de um conselho, de um ombro amigo. Às vezes, eu acho que não. E é isso que me faz ter força novamente pra tentar me distanciar de novo. E o ciclo se repete. Dia após dia.
Até Deus já foi questionado por isso. Teimo em acreditar que deve haver um motivo. Mas não acho que justifique tamanho grau de dependência, a ponto de me fazer ficar até com certo ciúme.
Independente disso, acho que ultimamente, devo procurar levar a sério esse lema. Não sei se conseguirei transformá-lo em algo duradouro, e quem sabe, criar em mim um novo sentimento, uma coisa mais fria em relação a essa pessoa. Mas, a todos resta o beneficio da dúvida, portanto, acho que devo usar o meu.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Clariceando

Quer saber o que eu penso? Você agüentaria conhecer minha verdade? Pois tome. Prove. Sinta. Eu tenho preguiça de quem não comete erros. Tenho profundo sono de quem prefere o morno. Eu gosto do risco. Dos que arriscam. Tenho admiração nata por quem segue o coração. Eu acredito nas pessoas livres. Liberdade de ser. Coragem boa de se mostrar. Dar a cara à tapa! Ser louca, estranha, chata! Eu sou assim. Tenho um milhão de defeitos. Sou volúvel. Sou viciada em gente. Adoro ficar sozinha. Mas eu vivo para sentir. Por isso, eu te peço. Me provoque. Me beije a boca. Me desafie. Me tire do sério. Me tire do tédio. Vire meu mundo do avesso! Mas, pelo amor de Deus, me faça sentir… Um beliscãozinho que for, me dê. Eu quero rir até a barriga doer. Chorar e ficar com cara de sapo. Este é o meu alimento: palavras para uma alma com fome.


Clarice Lispector

sábado, 29 de janeiro de 2011

Posso esquecer de respirar?

Dizem as más ou boas línguas que não podemos guardar sentimentos. Digo, os sentimentos ditos como "prejudiciais". É. Aqueles que a sociedade chama de ira, raiva, luxuria, ódio, rancor. Enfim. Elas dizem que armazenar esse tipo de sentimento só traz infelicidade, tristeza, amargura. Que não os acumulassem em hipótese alguma...
Bom, eu queria ser assim. Nossa, como gostaria de ser uma daquelas pessoas que não "remoem" as coisas. Que jogam sua raiva no momento, e depois tudo fica bem (na medida do possível). Eu sei o quanto é angustiante essa sensação de aprisionamento por conta das memórias ruins que não consigo jogar no lixo. Eu muitas vezes me chateio com algo, e fico com isso pra mim. Como se eu devesse me martirizar. Conviver sozinha com minha raiva embutida. E isso me faz mal. Eu sei. Acho que todas as explicações e respostas pro que eu entendo da minha vida se resume a isso. A ter sentimentos embutidos. Sejam eles bons ou ruins. Acho que é por isso que não consigo me socializar como gostaria. Que não tenho lá tantos amigos como gostaria. Que não me envolvo com alguém especial como gostaria. Que me sinto sempre sozinha mesmo que tenham pessoas a minha volta.
Esse grau de reserva é insuportável. É doloroso se viver sozinha. Não ter uma companhia pra ver um filme, ou tomar um sorvete. Ou apenas, passar uma tarde rindo, conversando... Não ter ninguém pra desabafar. E pior, mesmo que se tenha, não conseguir. Viver com os monstros dos segredos. Dos sentimentos calados. Esses que costumam assombrar numa noite chuvosa, ou quando o silêncio torna-se profundo demais. Assustador demais.
Agora, eu só posso esquecer de respirar?

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Tô começando a curtir a Tati Bernadi. Há algum tempo, venho lendo alguns textos dela e, cara, sabe quando você se identifica? É como se ela te entendesse, escreve pra você, e ai, você pan, encontrasse o texto. Meio loucura... Enfim.
Hoje tava lendo uns textos dela e me deparei com o "CADÊ A TAMPA DA MINHA PANELA, O CHINELO DO MEU PÉ CANSADO, A METADE DA MINHA LARANJA?"

Eu sempre sinto que "pode ser esse, ou talvez com algumas mudancinhas possa ser esse ou talvez se ele quisesse, poderia ser esse...". Não, isso tá errado. Quero sentir que "é esse".
Dizem que materializar os sonhos escrevendo ajuda, então lá vai: quero transar com beijo na boca profundo, olhos nos olhos, eu te amo e muita sacanagem, quero cineminha com encosto de ombro cheiroso, casar de branco, ser carregada no colo, filhos, casinha no campo com cerquinha branca, cachorro e caseiro bacana. Quero sambão com churrasco e as famílias reunidas.

Quero ter certeza, ali no fundo da alma dele, de que ele me ama.

Quero que ele saia correndo quando meu peito amargurado precisar de riso.

Que ele esqueça, de vez em quando, seu lado egoísta, e lembre do meu. Que a gente brigue de ciúmes, porque ciúmes faz parte da paixão, e que faça as pazes rapidamente, porque paz faz parte do amor.

Quero ser lembrada em horários malucos, todos os horários, pra sempre. Quero ser criança, mulher, homem, et, megera, maluca e, ainda assim, olhada com total reconhecimento de território. Quero sexo na escada e alguns hematomas e depois descanso numa cama nossa e pura. Quero foto brega na sala, com duas crianças enfeitando nossa moldura. Quero o sobrenome dele, o suor dele, a alma dele, o dinheiro dele (brincadeira...).

Que ele me ame como a minha mãe, que seja mais forte que o meu pai, que seja a família que escolhi pra sempre.

Quero que ele passe a mão na minha cabeça quando eu for sincera em minhas desculpas e que ele me ignore quando eu tentar enrolá-lo em minhas maldades.

Quero que ele me torne uma pessoa melhor, que faça sexo como ninguém, que invente novas posições, que me faça comer peixe apimentado sem medo, respeite meus enjôos de sensibilidade, minhas esquisitices depressivas e morra de rir com meu senso de humor arrogante. Que seja lindo de uma beleza que me encha de tesão e que tenha um beijo que não desgaste com a rotina.

Tem que dançar charmoso, ser irônico, ser calmo porém macho (ou seja, não explodir por nada mas também não calar por tudo). Tem que ser meio artista, mas também ter que saber cuidar dos meus problemas burocráticos. Tem que amar tudo o que eu escrevo e me olhar com aquela cara
de "essa mulher é única".
É mais ou menos isso. Achou muito? Claro que não precisa ser exatamente assim, tintim por tintim. Bom, analisando aqui, dá pra tirar umas coisinhas. Deixa eu ver... Resumindo então: tem que dizer que me ama e me amar mesmo, tem que rolar umas sacanagens e Pronto!
E quando eu tiver tudo isso e uma menina boba e invejosa me olhar e pensar que "aquela instituição feliz não passa de uma união solitária de aparências" vou ter pena desse coração solitário que ainda não encontrou o verdadeiro amor.

(TATI BERNARDES)




quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

MUDE...

Mude, mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade.
Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho, ande por outras ruas,
calmamente, observando com atenção os lugares por
onde você passa.
Tome outros ônibus. Mude por uns tempos o estilo das
roupas. Dê os teus sapatos velhos. Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia, ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas. Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda. Durma no outro lado da cama… depois, procure dormir em outras camas.
Assista a outros programas de tv, compre outros jornais… leia outros livros, viva outros romances.
Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.
Corrija a postura. Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes, novos temperos, novas cores, novas delícias.
Tente o novo todo dia.
o novo lado,
o novo método,
o novo sabor,
o novo jeito,
o novo prazer,
o novo amor.
a nova vida.
Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.
Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes, tome outro tipo de bebida, compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado… outra marca de sabonete, outro creme dental… tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas, troque de carro, compre novos óculos, escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios, quebre delicadamente esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros teatros, visite novos museus.
Mude.
Lembre-se que a vida é uma só.
E pense seriamente em arrumar um novo emprego, uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais prazeroso, mais digno, mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as.
Seja criativo. E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino.
Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas, mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança,
o movimento,
o dinamismo,
a energia.
Só o que está morto não muda!

Edson Marques

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Reticências


"Olha, eu estou te escrevendo só pra dizer que se você tivesse telefonado hoje eu ia dizer tanta, mas tanta coisa. Talvez mesmo conseguisse dizer tudo aquilo que escondo desde o começo, um pouco por timidez, por vergonha, por falta de oportunidade, mas principalmente porque todos me dizem que sou demais precipitado, que coloco em palavras todo o meu processo mental (processo mental: é exatamente assim que eles dizem, e eu acho engraçado) e que isso assusta as pessoas, e que é preciso disfarçar, jogar, esconder, mentir. Eu não queria que fosse assim. Eu queria que tudo fosse muito mais limpo e muito mais claro, mas eles não me deixam, você não me deixa"



ps: Sempre tenho a impressão de que em algum lugar existe um texto que o Caio Fernando Abreu escreveu que se encaixa perfeitamente na situação da vez. E é tão bom quando consigo achá-lo a tempo. É meio que um alívio. Como se alguém entendesse em algum momento o que eu passei e soubesse como me fazer me sentir melhor. Meio que uma solução nas entrelinhas, sabe? E encontrar esses textos na hora certa, devem até ter um dedo de Deus. É, eu acho que ele sempre tá por perto, mesmo que a gente às vezes pense que ele nos abandonou...

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Enfim

Ela olhou em volta. Estava sozinha. Não. Havia um gato ali perto. Próximo ao banco, esperando ansiosamente que caíssem algumas migalhas do sanduiche. O tempo estava nublado. Nada mais adequado para essa ocasião. A solidão combina fielmente ao tempo fechado, a tempestade. Se bem que, chuva também pede companhia. No frio, o corpo deseja mais que nunca outro corpo. O contato, o toque, o calor de dois corpos se encontrando. A fusão de dois desejos, agora em um só. Aah, como ela queria uma companhia naquela tarde nublada. E no dia seguinte, e no outro, e no outro. Para sempre, até que para sempre durasse.

Ser só era algo muito fácil. Você não precisa de muita coisa para conseguir essa façanha. Ela gostava de ser só. Sentia-se livre. Independente. Mas algumas vezes, ela se sentia tão só que se tornava vulnerável da própria solidão. E disso, ela não gostava. Queria companhia pra ir ao cinema, a praia, a sorveteria. Alguém pra conversar. Sim, conversar. Ela precisa de alguém real pra conversar. Não que conversar com você mesma seja errado, mas, sejamos sincero. Até isso tem limite. Às vezes, você precisa conversar com outra pessoa, saber uma opinião de fora.

O gato se aproximou. Encostou-se na sua perna. Carinho. Ou não, gato é um animal interesseiro, talvez, esse movimento fosse totalmente intencional. Afinal, ele queria comer, não é mesmo? A aproximação era vital. Mas ela preferiu pensar como carinho. Sim, o gato talvez sentisse pena dela. Que decadência. Um animal sentir pena dela. E estava ali, dando carinho...

Uma gota. Começa a chover. Era hora de se recolher. Mas ela não se levantou. Deixou-se ficar ali, pra curtir a chuva. Levantou-se, correu, pulou. Brincou com as gotas que caiam. Ela ficou feliz. Era como se cada gota que molhava seu corpo levasse um pedacinho da sua angústia pra longe. Pra bem longe; O gato, coitado, correu da chuva. E não conseguiu as tão sonhadas migalhas. E agora, ela ficara sem sua companhia. Mas naquele momento, ela nem percebeu. Queria continuar ali, brincando. Pedindo pra que aquela chuva não parasse.

Ela cansou. Havia passado 2 horas desde que começara a chover. E alguém lá em cima escutou suas preces, porque, a chuva não dava tréguas. Voltou a sentar-se no banco, e quando ia se deitando nele, alguém se aproximou e pediu licença para sentar-se. Não que ela fosse uma pessoa mal educada, mas naquele momento, falou inconscientemente todos os palavrões que conhecia, e até inventou outros. Mas não tinha forças pra expulsar o pobre homem de lá, e não tinha motivos pra isso também, ninguém tinha culpa da sua infelicidade. Então, afastou-se e deu lugar pro pobre homem.

domingo, 26 de dezembro de 2010

2010

E mais um ano vai acabando, deixando pra trás aquele ar de nostalgia e alegria.Mas também de aleluia. Ó Deus! Nunca pedi pra que um ano acabasse tão rápido.
Não vou dizer que 2010 foi o melhor ano da minha vida, afinal, estaria sendo hipócrita. Passei por bons bocados. Tive que lidar com o medo, a angústia, a indiferença, a decepção ... E ainda, a rejeição. Bati a cara na porta várias vezes. Me peguei chorando, em profundo desespero mesmo.
Mas, há quem diga que esses altos e baixos permite a nós um certo crescimento pessoal, que influencia no nosso papel profissional e social, não é mesmo? Sendo assim, apesar de 2010 terminar com um certo balanço negativo quanto aos acontecimentos... É fato que tenha aprendido bastante com tudo que me aconteceu. Se esse ano serviu de alguma coisa, foi para Amadurecer e Aprender.
Aprendi que não se deve colocar sempre as pessoas ditas amigas sempre "na frente" no momento de uma decisão pessoal. Que nem sempre, as pessoas pelas quais eu tenho apreço, demonstrarão o mesmo respeito e carinho por mim. Que às vezes, a gente pode esperar demais de uma pessoa, e se decepcionar. Enfim, aprendi a me valorizar mais, embora, ainda coloque algumas pessoas como prioridade. Ora, é difícil mudar velhos hábitos.
Por fim, 2010 termina com a vela da esperança acessa. (Que brega isso!). O Rio de Janeiro amanhece mais calmo, o Brasil amanhece mais feliz. Meu avô lindo vive mais um ano, deixando claro que a força de vontade, essa de querer viver, ainda é forte, mesmo que sua situação ainda seja complicada.
Enfim, mais um ano termina. Mais uma etapa concluida.


Então, resta esperar por 2011. Que ele venha com mais saúde, mais amor, mais felicidade, mais sucesso, mais companherismo, mais amizade, mais cumplicidade, mais esperança, mais fé!

sábado, 25 de dezembro de 2010

Então é Natal

Então é Natal, e o que você fez?
O ano termina, e nasce outra vez.
Então é Natal, a festa Cristã.
Do velho e do novo, do amor como um todo.
Então bom Natal, e um ano novo também.
Que seja feliz quem, souber o que é o bem.

Então é Natal, pro enfermo e pro são.
Pro rico e pro pobre, num só coração.
Então bom Natal, pro branco e pro negro.
Amarelo e vermelho, pra paz afinal.
Então bom Natal, e um ano novo também.
Que seja feliz quem, souber o que é o bem.



segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Devaneio

"Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que sugere caminhos para melhorar, que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você, caso você esteja delirando. "Não seja tão severa consigo mesma, relaxe um pouco. Vou te trazer um cálice de vinho".
(Divã)



E você nao se sente amado só no sentido amoroso da coisa. Isso serve também com amigos, certo? Então, se for assim... Tá dificil sentir-se amado por alguém que não vem o caso agora.

sábado, 18 de dezembro de 2010

E se você tivesse uma segunda chance para encontrar seu verdadeiro amor? CARTAS PARA JULIETA


Já deixei registrado por aqui o quanto gosto de comédias românticas. Aquele melação comovente, que às vezes chega a dar naúseas. E que ao mesmo tempo, nos faz perguntar porque nossa vida não pode ser simplesmente como a que eles retratam nesses filmes. Porque não podemos encontrar o amor da nossa vida numa fila de banco, no aeroporto, ou sei lá, num esbarrão qualquer...
Acho que é isso que faz com que algumas pessoas curtam esse tipo de filme, saber que aquilo é tão irreal, tão improvável, tão fictício que nunca vai acontecer com a gente. Mas que de alguma forma, desperta na gente aquela faisca adormecida de acreditar em contos de fadas!
Claro que existem aquelas comédias apelativas demais. Que você acompanha, sabe aos 10 minutos de filme como será o final do casal, e que não consegue despertar em você aquele "own, como eu queria viver uma história assim!" Mas, vamos dar a César o que é de César. Há muitas comédias românticas maravilhosas! Cartas para Julieta é uma delas. Como toda comédia romântica, os roteiro peca pelo excesso de "mimos", e sim, você é capaz de desvendar todo o filme logo de cara, mas ele é capaz de prender sua atenção, de fazer você torcer pela Claire e pelo seu Lorenzo, te fazer você xingar o Victor... O filme se torna fofo desde sua abertura. Sim, dá uma vontade enorme de beijar vendo as imagens da abertura.
Em Cartas para Julieta, Amanda Seyfried vive Sophia, uma estadunidense que vai passar férias com seu noivo (Gael García Bernal) em Verona, a charmosa cidade italiana que serviu de cenário para a célebre história de amor de Romeu e Julieta. Ao visitar a casa de Julieta, um dos pontos turísticos da cidade, Sophia se depara com uma parede cheia de cartas, em que mulheres apaixonadas pedem a Julieta que as ajude com seus problemas no amor. Ela então descobre que, diariamente, as cartas são recolhidas e respondidas por um grupo de voluntárias. Sophia passa a ajudá-las e acaba encontrando uma carta datada de 1951, escrita por uma inglesa que se apaixonou por um italiano em sua juventude, mas deixou escapar a oportunidade de ficar com ele. Ela então decide responder a carta de meio século, promovendo o amor verdadeiro. Empolgada com o conselho da carta, Claire Smith (Vanessa Redgrave) - hoje uma senhora - retorna à Itália para encontrar a paixão de sua adolescência e assim Sophia, Claire e seu neto Charlie (Christopher Egan) embarcam em uma viagem para procurar o tal Lorenzo Bartolini. Nesse momento, a comédia romântica ganha ares de road movie, mostrando bonitas paisagens da Toscana. E sim, eu me apaixonei pela Toscana. O lugar é lindo!


É um filme que faz a gente acreditar no amor. Desperta nossos desejos de se viver um grande amor. De encontrar um Romeu. Eu quero encontrar meu Romeu. E ele não precisa nem sussurrar em baixo de um "balcão" ou tentar escalar muro algum...

"E" e "Se" são duas palavras tão inofensivas quanto qualquer palavra, mas coloque-as juntas lado a lado, e elas tem o poder de assombra-lá pelo resto da sua vida. "E se".. E se? E se?

Não sei como sua história acabou. Mas sei o
que você sentia na época era amor verdadeiro então nunca é tarde demais. Se era verdadeiro então, porque não o seria agora? Voce só precisa ter coragem para seguir seu coração. Não sei como é sentir amor como o de Julieta, um amor pelo qual abandonar entes queridos, um amor pelo qual cruzar oceanos. Mas gosto de pensar que, se um dia sentisse, eu teria coragem de agarra-lo. E Claire se voce não o fez, espero que um dia faça.

Com todo meu amor.


Julieta

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

.

Fico pensando se viver não será sinônimo de perguntar. A gente se debate, busca, segura o fato com duas mãos sedentas e pensa: "Achei, achei!", mas ele escorrega, e espatifa em mil pedaços, como um vaso de barro coberto apenas por uma leve camada de louça.
A gente fica só, outra vez, e tem que começar do nada, correndo loucamente em busca de outros vasos que vê. Cada um que surge parece o último. Mais todos são de barro, quebram-se antes que possamos reformular as perguntas. E começamos de novo, mais uma vez, dia após dia, ano após ano. Um dia a gente chega na frente do espelho e descobre: "Envelheci".
Então, a busca termina. As perguntas calam no fundo da garganta, e vem a morte. Que talvez seja a grande resposta. A única.


Caio Fernando de Abreu. Limite Branco

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

..

Em dias difíceis, a gente sempre procura por um conforto: uma música, um abraço, um alguém, a família, um amigo, uma amiga, um livro... Algo que faça a gente esquecer por um momento pequeno ou quase intocável, a beleza da vida e que nos der força pra continuar. Erguer a cabeça, seguir... Trilhar um novo caminho, um novo truque de vida.
Esses dias estão sendo difíceis. Discussões, brigas, birras, desespero, raivas. Assim, bem tudo junto e misturado mesmo. Só que dezembro chega, com a esperança do final dessa ano meio fatídico. Na ilusão, ou não, de um 2011 mais ajustável, mais feliz...


E eu vou cintinuando nesse desejo... " Desejou que ele a beijasse. Quis que ele arrastasse sua mão e a puxasse para si." (A menina que roubava livros)

domingo, 28 de novembro de 2010

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Não era nada com você. Ou quase nada. Estou tão desintegrado. Atravessei o resto da noite encarando minha desintegração. Joguei sobre você tantos medos, tanta coisa travada, tanto medo de rejeição, tanta dor. Difícil explicar. Muitas coisas duras por dentro. Farpas. Uma pressa, uma urgência.E uma compulsão horrível de quebrar imediatamente qualquer relação bonita que mal comece a acontecer. Destruir antes que cresça. Com requintes, com sofreguidão, com textos que me vêm prontos e faces que se sobrepõem às outras. Para que não me firam, minto. E tomo a providência cuidadosa de eu mesmo me ferir, sem prestar atenção se estou ferindo o outro também. Não queria fazer mal a você. Não queria que você chorasse. Não queria cobrar absolutamente nada. Por que o Zen de repente escapa e se transforma em Sem? Sem que se consiga controlar.

Caio Fernando Abreu

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Dias Cinzas

Uma semana que tinha tudo pra ser linda acaba sendo preenchida por uma briga sem motivo. E como consequência, você se sente ainda mais retraida. Prefere o bom e velho silêncio, quebrado por uma melodia calma, de preferência o velho MPB ou então aquele rock do querido Nando Reis.
Sim, Nando Reis em tudo. Suas músicas embalam os meus dias mais felizes, e os meus dias mais tristes. É ao som da sua voz que muitas vezes encontro o conforto que espero encontrar em uma pessoa especial, e na sua falta... Bom, ainda bem que existem as músicas do Nando.
Falar em pessoa especial, Deus, se você quiser brincar de colocar uma no meu caminho, vou agradecer. Sei que por um vacilo meu, perdi uma chance. E isso até hoje me incomoda tanto, tanto...

Mas, a música do dia hoje, nao é do Nando, pasmém. A lua de hoje merecia um bom reggae. Entao...
Chimarruts: Do Lado de Cá

Se a vida às vezes dá uns dias de segundos cinzas
e o tempo tic taca devagar
Põe o teu melhor vestido, brilha teu sorriso
Vem pra cá, vem pra cá
Se a vida muitas vezes só chuvisca, só garoa
e tudo não parece funcionar
Deixe esse problema a toa, pra ficar na boa
Vem pra cá

Do lado de cá, a vista é bonita
A maré é boa de provar
Do lado de cá, eu vivo tranquila
E o meu corpo dança sem parar
Do lado de cá tem música, amigos e alguém para amar
Do lado de cá
Do lado de cá

Se a vida às vezes dá uns dias de segundos cinzas
e o tempo tic taca devagar
Põe o teu melhor vestido, brilha teu sorriso
Vem pra cá, vem pra cá
Se a vida muitas vezes só chuvisca, só garoa
e tudo não parece funcionar
Deixe esse problema a toa, pra ficar na boa
Vem pra cá

Do lado de cá, a vista é bonita
A maré é boa de provar
Do lado de cá, eu vivo tranquila
E o meu corpo dança sem parar
Do lado de cá tem música, amigos e alguém para amar
Do lado de cá

A vida é agora, vê se não demora.
Pra recomeçar é só ter vontade de felicidade pra pular

Do lado de cá, a vista é bonita
A maré é boa de provar
Do lado de cá, eu vivo tranquila
E o meu corpo dança sem parar
Do lado de cá tem música, amigos e alguém para amar
Do lado de cá

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Desalinho

"A gente passa toda uma vida em busca de definições.
E depois de muito tempo você descobre, que não há definição.
Vida é falta de definição. É transitória mesmo. Agora eu entendi.
Não tem a portinha certa. Não tem o mapa da mina.
O mapa muda toda hora.
A mina pode explodir a qualquer hora e qualquer lugar.
Não é assim? Acho que eu vou me dar alta!
Porque eu nunca vou estar pronto.
Tudo que eu preciso é conviver bem com meu desalinho,
com minha inconstância e com as surpresas que a vida traz.
De resto, a vida continua. Porque agora eu sei,
se eu tive problema um dia, não foi por falta de felicidade.."

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Um desabafo. Uma homenagem a quem se foi. Uma saudade.

"Desde o século 1º, os cristãos rezam pelos falecidos; costumavam visitar os túmulos dos mártires nas catacumbas para rezar pelos que morreram sem martírio. No século 4º, já encontramos a Memória dos Mortos na celebração da missa. Desde o século 5º, a Igreja dedica um dia por ano para rezar por todos os mortos, pelos quais ninguém rezava e dos quais ninguém se lembrava."


Todo mundo conhece alguém que já partiu. Um familiar, um amigo, alguém próximo ou não a você. E, hoje, no dia dois de novembro, saímos para rezar pela alma de quem já se foi, na esperança que tenha encontrado um lugar melhor pra viver. Na esperança de que essa pessoa viva no paraíso, com Deus, Maria, Jesus... rodeada de anjinhos. Ou que apenas, tenha encontrado a verdadeira paz.
Quando tinha 11 anos, perdi minha avó. Lembro como se fosse hoje daquele dia. Um domingo. Era madrugada e minha avó estava internada no Hospital do Coração se recuperando de uma cirurgia cardíaca. O telefone da minha casa tocou. Eu acordei e fiquei com preguiça de atender. Um tempo depois, alguém tinha atendido o telefone. Desse momento até o meu pai ir me acordar é confuso. As imagens se sobrepõem. Acho que por conta da sonolência.
Meu pai chegou no meu quarto, sentou-se ao meu lado e disse baixinho, pra não acordar minha irmã: " Silvia, vou ao hospital com sua mãe. Ligaram de lá, pedindo que fossemos. Quando amanhecer, seu tio virá pegar vocês."
Não entendi porque tinham ligado tão cedo do hospital. Mas não discuti, e então voltei a dormir. Quando amanheceu, meu tio nos levou para sua casa. Naquele dia, também resolvi ir a missa. Pedi proteção a minha avó, esperando que ela saísse logo da UTI e fosse pra casa. A uns dias, tinha tido um sonho estranho com ela. A vi na UTI com aquela danação de fios e ligada a vários aparelhos. Queria que ela fosse logo pra casa...
Quando voltei da missa, minha tia sentou-se ao meu lado e disse: "Silvinha, tenho uma noticia ruim para você. Você lembra o que o padre disse na missa hoje? (coincidencia ou não, a liturgia era sobre morte) Sua avó foi morar com papai do céu. Ela faleceu hoje de madrugada. Sinto muito..." E me abraçou.
Imediatamente comecei a chorar. Chorei, chorei, chorei. Tinha perdido o chão naquela hora. Minha avó. Minha segunda mãe. MINHA AVÓ estava morta.
Minha prima conversou comigo depois, tentando me acalmar, quase que inutilmente. Eu disse que queria ir pro velório, ir ao enterro.
Quando cheguei no velório, vendo todo mundo de preto, ou com cores escuras demais, chorando, abraçando um e outro... Chorei novamente. Não conseguia acreditar que realmente minha avó tinha falecido.
Lutei pra criar coragem e chegar ao caixão. Tinha medo. Enfim, consegui... Minha avó estava inchada, meio roxa.. Pensava: "Vó, o que aconteceu com a senhora? Volta, por favor! Quer que eu tire esses algodões?" Eu queria tirar aqueles malditos algodões. E se ela acordasse? Não conseguiria respirar... Mas minha avó, estava tão linda. Mesmo com o inchaço e a roxidão. Ela tava com aquela expressão de "eu estou em paz". Sabe, naquele momento, eu pensei... " Ela viu meu avô. Meu avô e meu tio, seu filho que morreu tão cedo. Eles que vieram pega-la. Ela ta feliz" Ai, tentei dar um esboço de sorriso.
Isso foi há 7 anos. Há 7 anos sinto a falta da minha avó. Há 7 anos imagino que onde ela estiver, está feliz, junto a seu marido, seu filho, sua mãe... Protegendo a mim, minha irmã, minha mãe, suas outras filhas, seus outros netos.
Há 7 anos sei que minha avó esta sempre de olho em mim. Esteve comigo todos os dias. Desde os dias qualquer, até os mais importantes e felizes: meus 15 anos, vestibular, aprovação... Tenho certeza que no dia que saiu aquele resultado, que eu passei, minha avó fez uma festa onde quer que ela estivesse. Melhor, tenho certeza que ela veio comemorar comigo. Que chorou junto, que riu junto. Que ficou feliz junto.
Esse é o sétimo dia de finados. É a sétima vez que realmente percebo que minha avó se foi. Porque nos demais dias, é como se ela estivesse fazendo uma longa viagem mas que já já tá chegando. Faz 7 anos.

Eu sei, sei que estarás sempre a me proteger. A me guiar. Me ajudando a fazer as melhores escolhas. Ficando feliz quando eu finalmente acertar. Brigando comigo quando eu errar. Sei que me acompanhas todos os dias pela minha trajetória, no desejo de eu conseguir ser alguém nesse mundo.
Eu te amo, vovó. Sinto tanto a tua falta.



"O dia dos mortos é um dia de respeito, dedicado para que as famílias celebrem a vida eterna dos seus entes falecidos, tendo esperança de que tenham sido recebidos pelo reino de Deus."

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Seja você quem for,





seja qual for a posição social que você tenha na vida, a mais alta ou a mais baixa, tenha sempre como meta muita força, muita determinação e sempre faça tudo com muito amor e com muita em Deus, que um dia você chega lá. De alguma maneira você chega lá."




Ayrton Senna.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Eu desejo

Eu desejo um amor. Uma paixão forte, marcante. Capaz de me fazer suspirar e sorrir do nada, ouvindo uma música, vendo um outro casal...
Eu desejo um amor. Um amor que me faça feliz enquanto ele durar. Cheio de lembranças, sussurros, beijos e abraços. Um amor verdadeiro, único.
Eu desejo um amor reciproco, encantado, apaixonante. Quem sabe, eterno.
Eu desejo um amor pra dividir meus momentos de alegria, pra acalmar minhas dores, amenizar minha tristeza.
Eu desejo um amor que pergunte como foi meu dia, converse sobre o seu... Entre beijos e carinhos.
Que conversemos besteiras, riamos um do outro.
Eu desejo um amor que continue forte, independente do tempo que passar. Que vença a rotina.
Eu desejo um amor que supere as brigas, e que as reconciliações sempre terminem com um beijo cada vez mais apaixonado.
Eu desejo um amor, e como diz Frejat "que seja bom pra mim".

"Eu procuro um amor, que ainda não encontrei
Diferente de todos que amei,
Nos seus olhos quero descobrir uma razão para viver
E as feridas dessa vida eu quero esquecer

Pode ser que eu a encontre numa fila de cinema
Numa esquina ou numa mesa de bar

Procuro um amor, que seja bom pra mim
Vou procurar, eu vou ate o fim
E eu vou trata-la bem,pra que ela não tenha medo
Quando começar a conhecer os meus segredos

Eu procuro um amor, uma razão para viver
E as feridas dessa vida eu quero esquecer
Pode ser que eu gagueje sem saber o que falar
Mas eu disfarço e não saio sem ela de lá

Procuro um amor, que seja bom pra mim
Vou procurar, eu vou ate o fim
E eu vou trata-la bem,pra que ela não tenha medo
Quando começar a conhecer os meus segredos

Procuro um amor que seja bom pra mim
Vou procurar eu vou ate o fim
Eu procuro um amor que seja bom pra mim
Vou procurar eu vou ate o fim"

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Socorro

Em meio a preparação para a semana do Segundo Encontro Festivo de Cinesiologia... uma música para relaxar da Cássia Eller, composição de Arnaldo Antunes e Alice Ruiz

Socorro, não estou sentindo nada
Nem medo, nem calor, nem fogo
Não vai dar mais pra chorar, nem pra rir
Socorro, alguma alma, mesmo que penada
Me entregue suas penas
Já não sinto amor, nem dor, já não sinto nada
Socorro, alguém me dê um coração
Que esse já não bate, nem apanha
Por favor, uma emoção pequena
Qualquer coisa
Qualquer coisa que se sinta
Em tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva
Socorro, alguma rua que me dê sentido
Em qualquer cruzamento, acostamento, encruzilhada
Socorro, eu já não sinto nada, nada


Qualquer semelhança é mera coincidência.